Cada assassinato afeta, em média, 5 familiares e pessoas próximas à vítima, segundo pesquisadora da Uerj G1
Numa pasta vermelha que carrega nos braços há 11 anos, Deize Carvalho reúne fotos da exumação do corpo do filho, o atestado de óbito dele e uma ilustração feita por um cartunista que recria a cena do crime.
Desde a tragédia com o filho, Deize Carvalho toma remédios controlados e dedica grande parte do tempo a buscar justiça para que os culpados pela morte sejam punidos. Ela já sofreu maus-tratos em delegacia, no Instituto Médico-Legal e no Judiciário. Sua família se desestruturou. Mas Deize não tem a quem recorrer.
'Leque de sensibilidade' "No estudo, vimos que as mulheres são mais impactadas porque percebem o sofrimento de outra forma", apontou Dayse, que passou meses no IML do Rio de Janeiro durante a pesquisa. Mãe aguarda liberação do corpo do filho no IML do Rio . — Foto: José Lucena/Futura Press/Estadão Conteúdo
A especialista indica ainda que o número de homicídios no país é alto e que nem sempre tem vaga para todos no IML, nos cemitérios. "Foi uma decisão nossa calcular inicialmente uma estimativa do que denominamos a quantidade mínima de sobreviventes, pois na nossa percepção o mínimo de pessoas impactadas pelo homicídio de alguém são aquelas que residem na mesma moradia", explica a pesquisadora.
A maioria dos familiares que sofreram uma perda violenta não conta com ajuda psicológica. Muitos nem sequer procuram o serviço, explicam especialistas. Segundo a pesquisadora Dayse Miranda, essa vítimas ocultas ficam solitárias. "O poder público precisa entender que deve existir um trabalho de prevenção, para evitar os homicídios, e também para realizar um trabalho com os que ficam, porque nossos estudos mostram que violência adoece. Precisamos acabar com esse silêncio." Renata Vieira da Cruz: irmã de Vagner Vieira da Cruz, morto durante confronto com traficantes na UPP Vila Cruzeiro, em fevereiro de 2014.
No IML, não tive nenhum apoio. Lá, não tem estrutura nenhuma, fiquei muito tempo aguardando, ainda tem a entrevista que a gente passa com a Polícia Civil, um momento doloroso. — Rosana Oliveira: tia de Paloma Santos, vítima de feminicídio que foi morta na frente dos filhos em 2017 O filho dela viu todo o crime. Me lembro que, quando fui buscar ele na delegacia, ele já tinha contato com detalhes tudo que tinha acontecido para o delegado, depois repetiu pra mim. Só tinha cinco anos. Ele ficou com problema pra dormir, ficava repetindo o que havia acontecido com ela. Depois de alguns meses, a professora veio me contar que ele também contou pra ela.
A minha mãe, junto com meu pai, fez tudo por ela quando ela nasceu. De repente, ver a neta dela dentro daquele caixão, um sepultamento de caixão fechado, porque não tinha como deixar aberto, o corpo estava muito feio. Meu filho estava no Degase, nos braços do Estado. E o próprio Estado matou o meu filho. E esse próprio Estado não fez justiça pelo que aconteceu. Se meu filho cometeu um ato infracional, ele deveria pagar dentro da lei, e não pagar com a própria vida.
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