O tribunal da Santa Sé inicia nesta terça-feira um macrojulgamento de dez acusados de desvio de dinheiro e corrupção, incluindo um cardeal pela primeira vez na história
A Procuradoria do Vaticano, comandada por Gian Piero Milano, considera que o suposto complô executou uma gestão paralela das finanças do Vaticano durante uma década e atribui aos processados os crimes de fraude, lavagem de dinheiro, malversação de fundos e corrupção.
Em 24 de setembro, enquanto descansava em seu apartamento no palácio do antigo Santo Ofício, Becciu recebeu um telefonema do Papa convocando-o com urgência. Saiu correndo, caminhou os 400 metros que o separavam de Santa Marta, residência intramuros do Papa, e ouviu surpreso enquantolhe pedia explicações sobre supostos casos de corrupção e tratamento favorável a familiares, encomendando e pagando trabalhos em diferentes nunciaturas.
A causa central do julgamento que começa nesta terça-feira —dada sua envergadura, terá que ser realizado em uma grande sala dos Museus do Vaticano— é a compra e venda do imóvel em Londres, que Becciu autorizou, custou cerca de 300 milhões de euros e foi feita por meio de uma série de intermediários que cobravam comissões milionárias e que se reservavam o poder de bloquear movimentos futuros, apesar de praticamente não terem contribuído...
Uma longa investigação iniciada há dois anos, com cerca de 29.000 páginas, permitiu constatar que a atividade dos imputados supostamente acarretou “consideráveis perdas para as finanças” [entre 73 e 166 milhões de euros, ou seja, de 450.000 a 1,02 bilhão de reais], segundo Nunzio Gallantino, presidente da APSA, o organização que administra os imóveis do Vaticano.