Em comum, depoimentos detalham estratégias para reduzir o risco após aumento da criminalidade no centro da cidade
Quase um ano após a operação policial que dispersou a cracolândia da praça Princesa Isabel, no centro de São Paulo, moradores de oito ruas da região que foram ocupadas em momentos diferentes pelos usuários de drogas relatam mudanças drásticas na rotina diante da nova realidade na porta de casa.
A situação se repete entre moradores das ruas Helvetia, Frederico Steidel e no entorno do Minhocão, primeiros endereços impactados pela dispersão da cracolândia, entre março e abril do ano passado. Mais recentemente, parte da Santa Ifigênia passou a ser referência da mazela social paulistana. A depender da hora do dia, há aglomerações de usuários nas ruas dos Gusmões, Andradas, Vitória e Conselheiro Nébias.
Sou síndica e, quando um morador do condomínio passa mal à noite e pede ajuda, temos que andar dois quarteirões e pedir carro de aplicativo na avenida Rio Branco porque a rua aqui é marcada como de alto risco. Isso já aconteceu algumas vezes. Por causa dessa situação, eu passei a participar de manifestações organizadas por moradores e me tornei uma militante do centro.
Não saio de casa com celular, e toda minha família sabe. Quando acontece alguma coisa no centro, todos ficam preocupados e só se tranquilizam quando eu chego em casa e retorno das ligações. "Se toda a população se unisse e fosse atrás, a cracolândia não existiria" Paulo Branco, 60, produtor, morador da rua Helvétia Em maio do ano passado, a cracolândia passou a ocupar a frente da minha casa. Eu tinha acabado de cadastrar meu apartamento em um aplicativo de hospedagem compartilhada e perdi todas as reservas.
Fora isso, não consigo mais sair à noite. Até me arrumo, mas na hora de passar pela porta, eu travo, me dá pânico. Piorou quando tive a casa invadida por dois usuários de drogas dois meses após a cracolândia ter saído daqui. Eu estava em casa e ouvi um barulho vindo da varanda. Saí e vi dois homens em cima do telhado. Gritei e tive a sorte que um carro da polícia estava passando bem na hora e os policiais conseguiram pegar um deles.
Moro aqui há 47 anos, foi onde criei meus filhos. Agora, eu estou doente e não durmo mais à noite nem de dia, é barulho o tempo todo. Comecei a tomar remédios controlados há quatro meses porque a minha pressão subiu e tinha dores pelo corpo. Estava quase entrando em depressão e, hoje, gasto R$ 1.800 por mês com medicação.
A gente não tem condições de ir à feira. Se voltar com o carrinho cheio, eles te abordam e tomam tudo. Ando sem aliança, sem sapato caro. Aqui temos que andar quase como eles.
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