Mudanças de nomes de províncias e cargos públicos tentam trazer imagem de passado 'glorioso', mas oposição afirma que premier quer tirar atenção de problemas do país
O primeiro-ministro Viktor Orbán, que é alvo de fortes críticas por seu projeto de mais de uma década de transformar as instituições de Estado da Hungria para que fiquem sob seu controle, está agindo agora para mudar o mapa do país.
O partido do premier, o Fidesz, apresentou um projeto de emenda constitucional que vai redesenhar os 19 condados da nação com termos que eram usados até 1949, quando teve início a era comunista. Um condado, “megye” em húngaro, se torna “vármegye”, usando a palavra húngara para “castelo” para formar um termo arcaico que era comum nos séculos anteriores à perda de dois terços do território húngaro após a Primeira Guerra Mundial.
A mudança na terminologia geográfica pode parecer trivial, mas integra uma ofensiva de Orbán para reviver símbolos do passado da Hungria e para caracterizar as quatro décadas que a nação viveu em um regime comunista como uma “aberração histórica”. Uma outra medida, apresentada pelo ministro das Finanças, Mihaly Varga, propõe um novo título para os comissários do governo, usando um termo húngaro — “ispán” — que está presente desde o período medieval. O texto argumenta que títulos arcaicos são comuns em outras democracias, citando os “aldermen” [“homens mais velhos”] eleitos pela Cidade de Londres, título derivado do inglês arcaico.
Partidos de oposição, sem poderes para impedir as mudanças por causa da ampla maioria de Orbán, acusaram o governo de tentar afastar as atenções do público de temas mais importantes, como uma inflação em alta e o florim húngaro sendo cotado em níveis historicamente baixos frente ao euro.