O longo processo na Rússia para identificar o último Romanov (e o interesse de Putin na dinastia) G1
O eco dos estilhaços reverberou como um trovão no meio da madrugada. Pouco depois, reinou outra vez o silêncio.
Hoje, eles são objeto de uma estranha disputa entre dois poderes que voltaram a se reconciliar na Rússia de Putin: a Igreja e o Estado. O tema voltou a ser notícia em julho, quando o Comitê de Investigação da Rússia, o principal órgão de investigação criminal do país, confirmou que, após 37 análises forenses, era possível concluir — novamente — que os ossos pertenciam aos membros da família real.
E, por temer represálias do regime, voltou a enterrá-los onde os encontrou e lá os manteve até 1991, quando a União Soviética se desintegrava. "Em 1998, depois de uma investigação de cinco anos, o governo russo decidiu enterrar as ossadas no sepulcro familiar dos Romanov na Catedral de São Pedro e São Paulo, em São Petersburgo, como um gesto político de reconciliação e expiação pelos crimes cometidos no período soviético", diz Marina Alexandrova, professora da Universidade do Texas, nos Estados Unidos.
O presidente do país na época, Boris Yeltsin, desafiou a Igreja e deu sinal verde para a realização do funeral. O ato foi pano de fundo de uma grande fricção que marcou o governo de Yeltsin e a cúpula da Igreja Ortodoxa — à época debilitada após perder espaço durante as décadas de regime soviético. Putin retomou a tradição czarista de tomar banho em um lago gelado no 'dia da epifania' — Foto: Getty Images/BBC
Desde a ascensão de Putin ao poder, a cúpula da Igreja Ortodoxa Russa proclamou como santos o último czar, sua esposa e seus filhos, o que foi visto com receio em um país onde a família real ainda é em parte lembrada pelos massacres e pela fome aos quais submeteu o povo russo. "E testes de DNA realizados dentro e fora da Rússia confirmaram se tratar dos restos de Maria e Alexei", afirma a professora da Universidade do Texas.
O fato de os restos terem sido encontrados em locais diferentes levantou dúvidas na cúpula da Igreja Ortodoxa — Foto: Getty Images/BBCEm 2008, a Suprema Corte da Rússia reabilitou oficialmente a família real e reconheceu que Nicolau 2º e sua família foram vítimas de repressão política. Às vésperas do centenário do massacre, em 2018, o governo russo anunciou que uma nova pesquisa havia confirmado mais uma vez que as ossadas pertenciam aos Romanov. Neste ano, mais uma vez em uma data próxima à efeméride, voltou a divulgar os achados.
"O governo Putin precisa dar um fim à história, precisa que os corpos sejam 'encontrados' também de maneira simbólica, 'trazê-los para casa' e ter um local em que eles possam ser celebrados."
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