Historiador fala do branco como objeto de pesquisa dos negros e da “caixa de Pandora” aberta com a internet que deu anonimato ao racismo no mundo
e outros brancos que comungam com o ideal da superioridade racial, mesmo em silêncio, representam a branquitude acrítica, ou seja, todos aqueles que não desaprovam o pensamento e as práticas racistas. Em relação ao critério de distinção, levei em consideração o seguinte fenômeno.
Nem sempre aquilo que é aprovado publicamente é ratificado no espaço privado. No ambiente particular, por vezes, opiniões ou teses podem ser desmentidas, ironizadas, minimizadas, especialmente, quando se trata de questões referentes ao conflito racial. Quando propus o conceito, em 2008, a ideia central era destacar que não estávamos pensando a identidade branca de ultradireita por causa da dificuldade metodológica de alcançar essas pessoas. No mundo ocidental, após a Segunda Guerra Mundial, quase todos se colocam publicamente contra o racismo, mas hoje a Internet começa a revelar a branquitude acrítica de forma mais recorrente. Muitos brancos motivados pelo suposto anonimato têm praticado o racismo que antes escondiam. Abriu-se a caixa de Pandora, a Internet é a principal base de potencialização dessa branquitude no mundo. Vivemos uma onda reacionária, isto resulta em maiores possibilidades para estudar a branquitude acrítica, inclusive, o seu desejo de poder. Lembro de Charlottesville, em 2017, quando supremacistas brancos entraram em confronto na rua com grupos antirracistas . Podemos entender o episódio como o momento em que a branquitude acrítica resolveu sair das redes sociais e partir para as ruas, deixar o enfrentamento virtual para o combate de carne e osso. A questão que se coloca é a seguinte: tal fenômeno pode ocorrer no Brasil? Já está ocorrendo?defende que “numa sociedade racista, não basta não ser racista. É necessário ser antirracista”. O que o senhor entende por ser antirracista? É possível enumerar práticas cotidianas antirracistas?A maioria dos brancos não se encontra nesse lugar antirracista. Simplesmente porque o branco ainda é pouco questionado e pouco interpelado. Os estudos sobre a branquitude estão num fluxo contínuo no Brasil, a discussão sobre privilégio ou vantagem racial torna-se cada vez mais forte na ação política e a palavra branquitude vai ganhando diferentes significados em debates na Internet. No entanto, se quisermos mudar a sociedade, temos que resgatar a ideia de revolução, não ter medo dela. As pessoas têm medo até da palavra “revolução”. Angela Davis nos alerta: não adianta remendar a estrutura social, temos que superar a sociedade em que vivemos. Somos sujeitos históricos. Temos a potencialidade para criarmos outra estrutura social, abolir o racismo e todas as outras formas de opressão.Por que é importante problematizar também o opressor, não apenas o oprimido, como fazem os pesquisadores do"problema do negro"?O branco, ao focar os olhos somente para si, ao não enxergar o negro como humano, como o outro lado do espelho, acaba por não enxergar a si mesmo. A imagem do branco refletida no espelho não é sua própria imagem, no máximo é uma foto, uma figura congelada, petrificada, imóvel. Imagem que não envelhecerá ou morrerá. Enquanto o negro, aquele que se encontra na condição de alienado, possui como parâmetro o branco, o branco não possui parâmetro porque ele é sua própria medida, seu próprio parâmetro. Ele somente enxerga o Não-Ser, o Outro não-branco. O que equivale dizer: “colonizado”, “africano”, “negro”, “desumano”. Ao atribuir somente a si a humanidade, o branco acaba tendo uma imagem distorcida de si mesmo. É uma espécie de “cegueira”, como aquela descrita por
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