'Mudanças!' tem 15 imagens de Sebastião Reis Júnior feitas no Centro de Detenção Provisória II de São Paulo; mostra faz parte de seminário de ciências criminais
O hobby da fotografia surgiu em 2017 na rotina do ministro do Superior Tribunal de Justiça Sebastião Reis Júnior. Mas o que começou como o simples ato de pegar a câmara do filho emprestada para viagens se concretizou na mostra “Mudanças!”.
Reis divide a mostra, que teve a curadoria de Juan Esteves, com o fotógrafo e cineasta João Wainer. Cada um deles tem 15 obras com a mesma temática, mas cores, datas, locais e protagonistas diferentes. Wainer expõe, em fotos coloridas, o cotidiano do Complexo do Carandiru nos anos 1990, depois do assassinato de 111 detentos em 1992.
— Elas podem usar o cabelo cumprido, maquiagem, sutiã e calcinha. Mas têm uma preocupação com o futuro. São abandonadas pelas famílias. Elas já sofrem o preconceito por serem transexuais. E ainda vão ser ex-presidiárias. O que vai ser dessas pessoas quando elas saírem do presídio? Qual a possibilidade de ressocialização.
A maioria das obras são retratos. Algumas das detentas sorriem, outras entregam no olhar a preocupação com o futuro. Parte das fotos captura detalhes do acolhimento mútuo entre as encarceradas. A imagem de uma das presas com os braços jogados para o alto, em um salto de balé, é a favorita do ministro.