Evo Morales foi uma das poucas figuras da esquerda sul-americana que compareceu à posse de Bolsonaro.
Morales, primeiro presidente indígena da Bolívia, renunciou pressionado pelas Forças Armadas em meio a uma onda de protestos. Uma auditoria da Organização de Estados Americanos constatou que houve “irregularidades sérias” nas eleições de 20 de outubro em que Morales saiu vitorioso no primeiro turno disputado com seu maior rival Carlos Mesa, ex-presidente do país.
Na carta de renúncia que enviou ao Congresso, Morales garante ter se tratado de uma “renúncia obrigada” derivada de um “golpe de Estado político, cívico e policial”. O governo de Bolsonaro “rejeita inteiramente a tese de estaria havendo um golpe na Bolívia”, ressalta o comunicado. “A repulsa popular após a tentativa de estelionato eleitoral , o qual favoreceria Evo Morales, levou à sua deslegitimação como presidente e consequente clamor de amplos setores da sociedade boliviana por sua renúncia”, acrescentou a chancelaria. Embora seja um presidente abertamente anti-esquerdista, Bolsonaro manteve relações cordiais com Morales e em junho do ano passado chegou a elogiá-lo por dar “sinais de querer afastar-se do Foro de São Paulo”, uma articulação de partidos e movimentos de esquerda latino-americanos. Morales, eleito pela primeira vez em 2006 e que buscava seu quarto mandato consecutiva, foi uma das poucas figuras da esquerda sul-americana que compareceu à posse de Bolsonaro. Além disso, Brasil e Bolívia negociam a extensão de um contrato fornecimento de gás boliviano que chega ao fim em dezembro. O governo de Bolsonaro afirmou, na nota de chancelaria, que está “está pronto a colaborar com as autoridades interinas da Bolívia de modo a contribuir para uma transição pacífica, democrática e constitucional” e que “deseja manter e aprofundar sua amizade e cooperação com a Bolívia em todas as áreas”.... Mas não se vá ainda. Ajude-nos a manter de pé o trabalho deO jornalismo vigia a fronteira entre a civilização e a barbárie. Fiscaliza o poder em todas as suas dimensões. Está a serviço da democracia e da diversidade de opinião, contra a escuridão do autoritarismo do pensamento único, da ignorância e da brutalidade. Há 24 anosexercita o espírito crítico, fiel à verdade factual, atenta ao compromisso de fiscalizar o poder onde quer que ele se manifeste. Nunca antes o jornalismo se fez tão necessário e nunca dependeu tanto da contribuição de cada um dos leitores. Seja, assine, contribua com um veículo dedicado a produzir diariamente uma informação de qualidade, profunda e analítica. A democracia agradece.
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