Defensor da convivência com os palestinos, escritor israelense morto a terça-feira (14) mostra as contradições de seu país sem fazer pregação nem abrir mão da leveza
Avraham Gabriel Yehoshua , morto na terça-feira , era um dos mais importantes escritores de Israel e, mais que isso, um ativista político incansável, ciente de que a convivência pacífica entre palestinos e israelenses é possível. Como se sabe, há muitas controvérsias a respeito disso, mas aí é discussão para outras páginas.
É curioso que Yehoshua condene seu personagem a lapsos gradativos, considerando que a memória é uma referência central da identidade judaica. Seria o fim da memória uma espécie de libertação da história recente de Israel? Tudo a ver, porque Yehoshua andava se lamentando que Israel tornou-se um país cada vez mais política, econômica e socialmente dividido, metendo-se num labirinto complicado. Mas, no livro, ele não está preocupado exatamente em fazer um manifesto político, e sim literatura. A pregação ostensiva passa longe, para o bem da narrativa.Certo é que Luria não desiste nunca.
No meio da trama, Dina cai doente e deixa o protagonista baratinado. A relação dos dois personagens é claramente uma referência direta à própria relação do escritor com sua mulher, Rivka, psicanalista com quem foi casado durante 56 anos e que morreu em 2016.