Com a perspectiva de juros elevados por mais tempo, Peterson Rizzo, head de Relações com Investidores da Multiplike, alerta sobre o erro de reposicionar a carteira inteira a cada reunião do Copom. Gustavo Assis, CEO da Asset, reforça a importância de separar objetivos e de diversificar a carteira, destacando a relação risco retorno da renda fixa em um cenário de juros elevados.
Expectativa do mercado é que o Comitê de Política Monetária (Copom) reduza a taxa pela última vez nesta quarta-feira, com mais um corte de 0,25 p.p. em setembro.
Embora mais duas reduções, os juros ainda se manterão num patamar elevado. Neste sentido, como construir uma carteira diante de juros altos por mais tempo?
"O erro mais caro nesse ambiente é reposicionar a carteira inteira a cada reunião do Copom", diz Peterson Rizzo, head de Relações com Investidores da Multiplike. Segundo ele, quem montou uma carteira apostando na queda da Selic, o ideal é não desmontar tudo de uma vez.
"O que mudou foi o ritmo do ciclo, não a direção", diz. Apesar dos fundos de renda fixa terem registrado resgates líquidos de R$ 20,9 bilhões em abril, maio e junho, segundo dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), com a perspectiva de juros elevados por mais tempo, Rizzo avalia que a renda fixa volta a ganhar força na composição das carteiras.
"Com juro real de curto prazo perto de 9%, a renda fixa entrega hoje o retorno que historicamente se buscava na renda variável, e isso eleva a régua para assumir risco", pontua. Isso, porém, não significa eliminar completamente os ativos de risco. Na visão do executivo, a renda fixa estabelece o piso de retorno da carteira, e não o teto.
Gustavo Assis, CEO da Asset, concorda: "Juros altos por mais tempo significam que a renda fixa continua oferecendo uma relação risco retorno bastante competitiva, mas isso não significa concentrar toda a carteira em um único tipo de ativo". Para ele, o primeiro passo é separar objetivos.
"Ele é o núcleo enquanto a Selic estiver em dois dígitos, porque remunera bem sem exigir acerto de cenário", destaca Rizzo. Assis complementa: "Para a parcela de reserva de liquidez e recursos que podem ser necessários no curto prazo, títulos pós-fixados atrelados ao CDI continuam sendo importantes porque acompanham a taxa elevada e reduzem o risco de marcação a mercado. Já os títulos atrelados à inflação são um complemento para quem carrega até o vencimento e buscam proteção de patrimônio.
"Para objetivos de médio e longo prazo, a combinação com ativos prefixados e indexados à inflação pode capturar oportunidades caso o ciclo de juros realmente comece a mudar no futuro", explica Assis. "Os títulos prefixados podem se tornar interessantes quando o investidor acredita que o mercado está exagerando na manutenção dos juros elevados e que haverá cortes no futuro. Nesse caso, a queda dos juros futuros gera valorização do título antes do vencimento.
Porém, existe risco de marcação a mercado caso a inflação ou as expectativas fiscais piorem", acrescenta o CEO da Asset. Do outro lado, com juros elevados, empresas com balanços sólidos continuam oferecendo oportunidades interessantes em ativos que pagam prêmio acima dos títulos públicos.
"Mas o investidor precisa ser mais seletivo", diz. A diferença entre bons e maus emissores aumenta em momentos de custo financeiro elevado, então análise de risco de crédito passa a ser tão importante quanto a busca por rentabilidade.
"Não existe um ativo vencedor em qualquer cenário, porque cada indexador responde a uma variável diferente da economia. Na prática, o cenário atual favorece uma carteira equilibrada: liquidez em pós-fixados, oportunidade em prefixados quando houver prêmio adequado e proteção de longo prazo com ativos reais", explica Assis.
Na prática, segundo Rizzo, a estratégia seria manter investimentos pós-fixados como base da carteira, complementar com títulos atrelados à inflação de prazo intermediário para garantir uma taxa real e utilizar prefixados de forma mais pontual, aproveitando oportunidades de mercado. Já os títulos isentos de Imposto de Renda (IR) podem reforçar essa composição ao aumentar o retorno líquido sem necessariamente elevar o risco assumido
Juros Altos Renda Fixa Ativos De Risco Ativos Prefixados Ativos Isentos De Imposto De Renda Ativos Atrelados À Inflação Ativos Pós-Fixados Atrelados Ao CDI Renda Variável Renda Fixa Riscos Oportunidades Balanços Sólidos Empresas Analise De Risco De Crédito Custo Financeiro Elevado Variável Economia Ciclo De Juros Renda Variável Renda Fixa Riscos Oportunidades Balanços Sólidos Empresas Analise De Risco De Crédito Custo Financeiro Elevado Variável Economia Ciclo De Juros
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