Empresa desbancou livrarias tradicionais como Saraiva e Cultura
"Vocês falam da Shein como se eu conhecesse. Eu não conheço a Shein. O que eu sei é o seguinte: o único portal que eu conheço é o da Amazon, porque eu compro todo dia um livro, pelo menos", disse o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, durante viagem à China em abril.
"Dói ouvir [a fala de Haddad citando a Amazon] quando você está dentro de uma livraria", diz Felipe Stefani Beirigo, um dos sócios da Livraria Simples, localizada no bairro paulistano do Bixiga. Procurada, a Amazon refuta a alegação."Nosso objetivo é sempre fomentar o mercado livreiro e entendemos que deve haver espaço e oportunidades para todos. Acreditamos que autores, editores e livreiros trabalham juntos para conectar os leitores aos livros. Todos dentro de um amplo cenário de estímulo ao segmento e boas práticas empresariais", diz a empresa, em nota.
As vendas da empresa no país eram estimadas em R$ 3,8 bilhões em 2021 ou R$ 10 bilhões considerando também as vendas de terceiros em seu marketplace, segundo estimativas da SBVC e da consultoria Varese Retail. Em 2019, o canal respondia por 12,7% das vendas de livros no Brasil, atrás de livrarias e distribuidoras —considerando dados de faturamento.
Assim, em pouco menos de nove anos, em meio à pandemia e à derrocada de redes como Livraria Cultura, Saraiva e Americanas , a Amazon se tornou hegemônica no mercado brasileiro de livros, desbancando a concorrência com descontos inigualáveis. Embora o impacto maior da Amazon seja sobre as livrarias, a varejista afeta a cadeia de livros como um todo, afirma Tadeu Breda, dono da editora Elefante— que publicou em 2020 o livro Contra Amazon e Outros Ensaios sobre a Humanidade dos Livros, do escritor espanhol Jorge Carrión.
Breda observa que o preço de capa em geral é calculado de forma que a editora fique com 50% do valor do livro. Com essa fatia, a empresa arca com custos como aluguel, funcionários, direitos autorais, custos de impressão e tradução, no caso de obras estrangeiras."Ela vai sufocando as editoras, com descontos cada vez maiores.
"A Amazon é a maior player mundial de livros. Nas editoras da Libre, em muitas, ela representa mais de 50% [das vendas]", diz Adour. "Então ela cresce também devido ao amadorismo de muitas livrarias, as editoras estão cansadas de tomar calote ou de mandar livros em consignação e recebê-los de volta danificados e inutilizados", relata o editor.
Segundo os defensores da proposta, ela tornaria mais justa a competição entre livrarias e varejo digital. De acordo com a Libre, o modelo é adotado em países como França, Alemanha, Argentina, Coreia do Sul, Dinamarca, Espanha, Grécia, Itália, Japão, México, Holanda e Portugal. Segundo o consultor editorial, o principal efeito colateral é que os grandes best sellers, que são os livros mais populares, vão perder desconto, enquanto os livros de menores tiragens serão pouco afetados.Carrenho argumenta ainda que o preço fixo não resolve o problema do monopólio da Amazon.
Segundo a pesquisa Retratos da Leitura, realizada pelo Ibope Inteligência para o Instituto Pró-Livro e o Itaú Cultural, também é um dos fatores com mais influência na escolha de um livro para compra, citado por 22% dos leitores. "Precisamos de incentivos, de linhas de crédito, editais de fomento. São necessários programas permanentes que fomentem o trabalho editorial e o acesso ao livro. Assim podemos começar a ter um país de leitores de massa, o que hoje em dia estamos muito longe de ter", afirma o editor.
Brasil Últimas Notícias, Brasil Manchetes
Similar News:Você também pode ler notícias semelhantes a esta que coletamos de outras fontes de notícias.
Como a Amazon dominou vendas de livros no Brasil em apenas 9 anos - BBC News BrasilEm pouco menos de 9 anos, em meio à derrocada de redes como Livraria Cultura e Saraiva, a Amazon se tornou hegemônica no mercado brasileiros de livros, desbancando a concorrência com descontos inigualáveis
Consulte Mais informação »
Governo manda Google sinalizar como 'publicidade' material feito pela empresa contra PL das Fake NewsGoogle também terá que veicular 'contrapropaganda', com o mesmo espaço, dizendo que tem interesse comercial no tema. Prazo para cumprir é de duas horas após notificação.
Consulte Mais informação »
Como o código de barras, nascido na praia, mudou a economia global - BBC News BrasilPresente atualmente em quase todos os produtos, o código de barras mudou o equilíbrio de poder entre pequenos e grandes comerciantes - e contribuiu para o surgimento dos megavarejistas
Consulte Mais informação »
MPF cobra Google após ofensiva da empresa contra o ‘PL das Fake News’Procuradores querem respostas da empresa sobre critérios de busca que direcionam usuários para sites contrários ao projeto de lei
Consulte Mais informação »
Light: empresa pede 'celeridade' à Aneel em análise de pedido que pode aumentar contas de luzEmpresa questiona cálculo relacionado a furtos de energia
Consulte Mais informação »
Marçal Aquino reage após ter livro censurado por universidade: 'A cara do Brasil'Autor teve romance retirado da lista de leituras obrigatórias do vestibular após pressão de parlamentar bolsonarista
Consulte Mais informação »