Coluna | O discurso do governador de São Paulo sobre retirada de material didático da rede de estadual é vazio e panfletário; não havia apologia a qualquer tema de gênero. por giubianconi
Não foi da noite para o dia que aconteceu, mas fato é que a palavra gênero se tornou um tipo de “palavrão” no Brasil, consequência direta de uma estratégia firme e contínua de desinformação, articulada por partidos políticos, igrejas e grupos militantes da extrema-direita.
O que os conservadores negam em relação a políticas e práticas de diversidade eles agora jogam na conta da “ideologia de gênero”, como fez o governador de São Paulo, João Doria , nesta semana, ao anunciar que vai recolher material didático que cita diferentes identidades de gênero.
O discurso, mais uma vez, é vazio e panfletário. Não há apologia a qualquer tema de gênero no material didático. Há um texto que informa algo que está consolidado no mundo, e que nada tem a ver com religião, com política partidária ou com viés ideológico: as diferenças entre conceitos relacionados à sexualidade, algo que está intrinsicamente relacionado à existência de qualquer pessoa.
Bolsonaro declarou esta semana que solicitou ao Ministério da Educação lei que proíba a ideologia de gênero nas escolas. A pergunta que se faz é: um material explicativo e elucidativo como esse que será recolhido sobre conceitos é “ideologia de gênero” por quê? Apagamento de identidade é prática recorrente de governos autoritários.
O enfrentamento à “ideologia de gênero”, que é propagada por Doria, Bolsonaro e companhia, escala para debates e atos inacreditáveis, que vão de vídeos onde se sugere que a doutrinação prevê que crianças sejam ensinadas a não ter gênero definido a ataques frontais, como o que se viu no Brasil em 2017, durante a visita da filósofa Judith Butler, pesquisadora reconhecida e um dos principais nomes dos estudos de gênero.
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