O escritor baiano Itamar Vieira Junior lança 'Salvar o Fogo', segunda parte da trilogia iniciada com obra de sucesso sobre as irmãs Bibiana e Belonísia
continuação da trilogia sobre a terra iniciada com— sucesso editorial de público e crítica que já vendeu mais de 700 mil cópias. Ciente do patamar que conquistou, Vieira Junior diz que não está ansioso em repetir o êxito de estreia, mas entende que ter de cumprir a expectativa de seus leitores é uma missão inevitável.
As comparações entre os livros são inevitáveis. Você está preparado para isso? Como espera que seja essa repercussão?é um livro que pode ser admirado, mas as pessoas podem não gostar também. Isso sempre vai existir, com qualquer obra. Quando saiu o, me preocupei bastante com a aceitação. Tinha dúvidas se os leitores iriam gostar, como iriam receber a história.
Ambos os livros têm elementos semelhantes. Nos dois há protagonistas mulheres fortes, ligações com a ancestralidade negra e ameríndia, e, sobretudo, a questão da terra. Você mesmo já disse eles fazem parte de uma trilogia sobre a terra. Qual que é a importância da terra para você como geógrafo e como autor?
Eu não falei sobre isso com ninguém, não gosto de falar enquanto escrevo. Até porque muita coisa muda. A escrita ganha por adição ou subtração. Foi reescrevendo que eu pude de fato ter certeza de que era o que eu queria e podia fazer.Suas obras tratam de questões sociais como as de Jorge Amado, têm a espiritualidade presente em livros do João Ubaldo Ribeiro, elementos do Graciliano Ramos, Rachel de Queiroz, Guimarães Rosa.
Eu continuo achando que é uma violência, mas mudou o perfil. No tempo das Cruzadas e depois, na colonização, isso era feito de uma maneira muito mais bárbara. Hoje, a violência está escamoteada. Ela vem como anteriormente, com a ideia de salvação, mas também traz a anulação de tudo o que existe anterior ao cristianismo.
Mesmo com a opressão, com as religiosidades ancestrais tendo sido esquecidas, algo na nossa existência, ou em nosso corpo, consegue capturar o fio. E quando isso acontece, há uma visão mais libertadora de tudo o que está em volta.dialoga e evoca conceitos vindos do perspectivismo ameríndio, criado pelos antropólogos Eduardo Viveiros de Castro e Tânia Stolze Lima.
A antropologia me ensinou a manter um olhar muito atento para a vida das pessoas. O perspectivismo ameríndio é sim uma forma empática de ver o mundo. Mostra que a minha maneira de olhar e de perceber o mundo não é absoluta. Tem inúmeras formas de pensar, ver e compreender o mundo. Aprendi isso como pesquisador, trabalhando no Incra, e como estudante de antropologia. Depois, eu tentei imaginar a possibilidade de fazer isso com a literatura.
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