Opinião | A cumplicidade nos casos de abuso sexual contra meninas. Por Luana Tolentino.
Havia acabado de fazer a chamada. Debruçada sobre a carteira, ela não respondeu. Me aproximei, pois achei que estivesse dormindo. Perguntei:– Sabe o que é professora?! O meu vizinho me estuprou. Minha mãe está correndo atrás dos meus documentos para tentar resolver, por isso não estou vindo às aulas…
Fiquei atônita. Era a minha primeira experiência com a docência. Sem saber o que fazer, a abracei e disse que tudo ficaria bem. O sinal bateu. Ela deixou a sala. Fiquei parada, com as mãos geladas. Com algum esforço, fui até a sala da coordenação pedagógica. Repeti o que havia acabado de ouvir. Quis saber o que poderia ser feito.
– Também, né?! Essas meninas de hoje! Elas provocam! Isso acontece mesmo! – disse a pedagoga. Se diante da minha aluna senti pesar, impotência e a sensação de ter caído em um abismo, da minha colega de jornada, senti raiva. Tentei entender como alguém era capaz de não esboçar o mínimo de empatia e indignação diante de tamanha tragédia.Dias depois, deixei a escola, pois era professora contratada. Nunca mais soube da menina.
Além do silêncio dos órgãos acima citados, assistimos ao desmanche e ao esvaziamento de entidades e Secretarias responsáveis pela proteção da infância e da adolescência. Grupos fundamentalistas estão à frente de Conselhos Tutelares, ocupam cargos políticos e pautam medidas que representam verdadeiros retrocessos no que se refere aos direitos sexuais e reprodutivos.
Em relação às escolas, para além das falhas e lacunas na Formação Inicial e Continuada de Professores no que tange aos temas ligados à sexualidade, dos preconceitos introjetados em muitos docentes e gestores, da falta de projetos articulados com as áreas da Saúde, da Segurança, da Justiça e da Assistência Social que propiciem o acolhimento das vítimas, o encaminhamento e acompanhamento das denúncias, os grupos...
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