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Os 'coronacéticos' no mundo, desde os antivacinas a Bolsonaro

Os partidários em apressar a diminuição das restrições aplicadas contra o novo coronavírus estão furiosos diante da possibilidade de que uma segunda onda da epidemia obrigue a impor um novo confinamento na Europa e em outros lugares.

Entre torcedores de futebol, partidários das teorias da conspiração, simpatizantes da extrema direita, e até alguns chefes de Estado, esses são alguns dos grupos que protestam.Isso ocorreu poucos dias antes da Alemanha começar a diminuí-las , e mesmo com o fato de que o país não impôs um confinamento estrito. Seus apoiadores são uma mescla de pessoas que se declaram como “pensadores livres”, ativistas antivacinas, teóricos da conspiração e simpatizantes da extrema direita. Protestam contra a “ditadura” das medidas que, segundo eles, ameaçam a liberdade garantida pela Constituição. Cerca de 20.000 deles se manifestaram em Berlim no início de agosto, a maioria sem máscaras e sem respeitar o distanciamento social, forçando a polícia a interromper o protesto. O movimento “Querdenken-711” programa protestos em novos locais neste final de semana, e deve realizar outra manifestação na capital alemã em 29 de agosto.Ainda que de pouca magnitude, esse movimento surgiu na Holanda, onde os torcedores participaram das manifestações, provocando o confronto com a polícia. Um grupo denominado “Virus Truth”, co-dirigido pelo ex-professor de bioquímica e dança Willem Engel, reivindica o direito de questionar as decisões das autoridades da saúde. Em Londres, dezenas de pessoas protestaram em julho contra o uso obrigatório de máscaras em lojas e supermercados britânicos. Muitos levantavam cartazes e faixas sugerindo, por exemplo, que medidas preventivas contra o novo coronavírus serviam na verdade para “controlar mentes”. Centenas de “coronacéticos” também desfilaram na capital romena, Bucareste, portando ícones religiosos, a bandeira nacional e faixas com os dizeres “Eu acredito em DEUS, não na COVID-19”.No último 12 de julho, dezenas de pessoas sem máscara se reuniram em Madri sob gritos de “não à ditadura”, com faixas com mensagens contra máscaras, vacinas e a 5G. Nesse país, no entanto, a polícia dispersou rapidamente a manifestação não autorizada, uma vez que as medidas sanitárias adotadas, entre as mais rígidas da Europa, contam com amplo apoio público.O presidente Jair Bolsonaro se opôs às medidas de confinamento, apesar de testar positivo para a doença e passar três semanas em quarentena no mês passado. Na última semana, em seu primeiro compromisso público desde a doença, ele cumprimentou uma multidão de apoiadores do Piauí, e para isso tirou a máscara. Nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump se opunha categoricamente a usar máscara até meados de julho. Muitos xerifes também fizeram oposição ao seu uso em seus respectivos condados, apesar de ser uma medida obrigatória ordenada pelos estados. Na Itália, o líder da extrema-direita, Matteo Salvini, foi muito criticado na última semana depois de falar no Senado sem máscara, declarando que “cumprimentar com os cotovelos é o fim da raça humana”. Desde então, ele recuou na opinião, afirmando que deveria ser usada “quando necessário”.E, por outro lado, há também os cidadãos que tomaram as ruas para expressar sua indignação frente a incapacidade do governo de impor medidas restritivas. A Sérvia viveu um breve, porém intenso momento de protesto no início de julho, com manifestantes que acusavam o presidente Aleksandar Vucic de ter facilitado uma nova onda de contágios por diminuir as restrições muito rápido por causa das eleições,nas quais seu partido conservador foi o vencedor. Na Suécia, que adotou medidas mais flexíveis na luta contra a doença, vários manifestantes solicitaram medidas mais estritas.... Mas não se vá ainda. Ajude-nos a manter de pé o trabalho deO jornalismo vigia a fronteira entre a civilização e a barbárie. Fiscaliza o poder em todas as suas dimensões. Está a serviço da democracia e da diversidade de opinião, contra a escuridão do autoritarismo do pensamento único, da ignorância e da brutalidade. Há 25 anosexercita o espírito crítico, fiel à verdade factual, atenta ao compromisso de fiscalizar o poder onde quer que ele se manifeste. Nunca antes o jornalismo se fez tão necessário e nunca dependeu tanto da contribuição de cada um dos leitores. Seja, assine, contribua com um veículo dedicado a produzir diariamente uma informação de qualidade, profunda e analítica. A democracia agradece.

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